5 de maio de 2008

A SITUAÇÃO DO HELICOBACTER PYLORI NO MUNDO

Jean Linhares de Lima
Aluno do curso de especialização em
bioquímica e biologia molecular na
Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Publicado em 26/04/2008 às 16:09
Jornal O Povo Vizualizar

O H. pylori foi descoberto em 1982 por australianos, Barry J. Marshall e J. Robin Warren. Até então, o estresse e o estilo de vida eram considerados as principais causas de úlcera. Hoje, estima-se que 90% das úlceras duodenais e 80% das gástricas são causadas pela bactéria. “Mais da metade dos seres humanos está infectada pelo H. pylori, bactéria gram-negativa (com um compartimento e limitada por uma membrana) que causa úlceras e constitui um fator de risco para o câncer”, escreveram os autores no artigo publicado na Nature. Em países em desenvolvimento a prevalência é ainda maior2.

O alimento ingerido passa pelo esôfago, entra no estômago, e em seguida passa para o duodeno. O ácido produzido pelo estômago ajuda no processo de triturar os alimentos. O estômago é recoberto por uma camada de muco protetora contra o próprio ácido produzido pelo estômago9.

O H. pylori sintetiza e excreta a enzima uréase que, degradando a uréia, produz CO2 e amônia. Esta ajuda a neutralizar a acidez gástrica, criando assim um nicho ecológico relativamente próximo da neutralidade, ótimo para a sobrevivência da bactéria, que tem capacidade de se aderir ao muco, o que impede que seja levada pelos movimentos peristálticos para o intestino11. No entanto lípases e proteases sintetizadas pelo H. pylori degradam a camada de muco, facilitando a progressão da bactéria. Além disso, o H. pylori move-se facilmente devido à morfologia em espiral e aos flagelos e, assim, atravessa a camada de muco, estabelecendo íntimo contato com as células epiteliais de revestimento12.

A bactéria pode danificar a camada de muco que reveste o epitélio do estômago, causando uma lesão nesta camada, após esta lesão atinge as células produtoras de muco do epitélio estomacal, levando a inflamações11.

A gastrite não é causada pela bactéria em si, mas pelas substâncias que ela produz e que agridem a mucosa gástrica, podendo levar a gastrite, úlcera péptica e, a longo prazo, ao câncer de estômago8.



No caso de ocorrer uma infecção pelo H. pylori o organismo procura defender-se movendo glóbulos brancos (células de defesa) para o estômago e o organismo produz anticorpos contra o H. pylori. A infecção permanece localizada na área do estômago e provavelmente persiste a menos que seja feito um tratamento adequado 9.

A alimentação e o estresse não colaboram para o surgimento da gastrite ou de outra doença gástrica. “O estresse altera a resposta imunológica e quebra o equilíbrio do organismo. A pessoa pode estar completamente estressada, mas, se ela não tiver a bactéria, nunca vai ter gastrite ou úlcera”10.

Dois novos estudos desenvolvidos na Unifesp traçam um perfil da infestação por H. pylori, considerada a causa principal de um dos cânceres mais letais do país, o câncer gástrico. A infecção ocorre na infância, até os 5 anos, e atinge perto de 40% das pessoas que vivem em São Paulo, mas em algumas regiões do Brasil pode chegar a 70%3.

A transmissão dá-se por contato íntimo, pela saliva, pela ingestão de água ou alimentos contaminados, e principalmente, por via oral-oral ou fecal-oral4. Mais de 80 % dos infectados com H. pylori nunca terá sintomas nem necessitará de tratamento5.

Atualmente há 3 maneiras para o diagnóstico de infecção por H. pylori, endoscopia onde é realizado biópsia para o teste de uréase, o teste respiratório em que o paciente toma a uréia via oral e finalmente há o teste de sangue para pesquisar a presença de anticorpos contra a bactéria9.

O tratamento do H. pylori antes ministrado a partir de sal de bismuto mais um antibiótico, chamado de terapia dupla. Estudos descobriram que a terapia tripla erradica o organismo em 80 a 90% dos pacientes. Isto inclui o seguinte, administrado quatro vezes ao dia por duas semanas: dois tabletes de bismuto, 250mg de metronidazola, e 500mg de tetraciclina ou amoxicilina. A tetraciclina parece ser mais efetiva que a amoxicilina, mas um organismo resistente a metronidazola, o qual é crescentemente comum, reduz ligeiramente a efetividade. A clantromicina, administrada duas vezes ao dia, pode ser substituída pela tronidazola7.

O H. pylori em ação criando uma úlcera no estômago.


1) H. pylori; 2) Muco; e 3) epitélio estomacal.

Fonte: Unifesp3.


O objetivo desse artigo é investigar a ocorrência do H. pylori no mundo, por meio de pesquisa bibliográfica.

O H. pylori tem uma distribuição irregular a nível mundial. As infecções mais freqüentes no mundo atingem mais de 50% da população mundial. Cerca de 90% dos portugueses adultos têm gastrite causada pelo H. pylori, mas apenas atinge 20% dos Escandinavos. Em 2006 é rara nas crianças dinamarquesas em idade escolar, cerca de menos de 2%5.




No mapa é nítida a diferença entre paises de primeiro mundo e de terceiro mundo. A incidência do H. pylori diminui com a melhoria das condições sanitárias.

Apesar de estar na Europa e ter como moeda o Euro. Portugal tem um baixo nível analfabetismo, Portugal é carente. Dos países capitalistas da Europa, Portugal é o mais pobre. Se ele não fizesse parte da economia local, sua situação não seria tão promissora6.

No Brasil a incidência é extremamente alta, talvez por falta de orientação quanto à contaminação, ou por péssimas condições sanitárias. Em paises como EUA são bem menores os números de casos, por ter condições sanitárias bem superiores a o Brasil.


BIBLIOGRAFIA

1._ http://pt.wikipedia.org/wiki/Helicobacter_pylori

2._blog.homeopatiaveterinaria.com.br/2007/02/08/companheira-pre-historica-helicobacter-pylori/

3._http://www.unifesp.br/comunicacao/jpta/ed165/pesq7.htm

4._http://www.astrazeneca.com.br/azws006/site/paciente/compreende_doenca/gastro/helicobacter.asp?nick_area=gastro&area=Gastrointestinal&id_area=

5._http://www.gastroalgarve.com/doencasdotd/estomago/helicobacterpylori.htm.

6._http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070315053221AAJrI35&show=7

7._http://www.uniclinica.com.br/informacoes/mainframe.htm?codigo=28&secao=1

8._http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=4682&ReturnCatID=1769

9._http://www.gastroweb.com.br/doencas/helioc.htm

10._http://revista.fapemig.br/materia.php?id=158

11._http://www.cienciaviva.pt/healthXXI/cbrandao/texto.asp?lang=pt

12._Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial- J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.39 no.4 Rio de Janeiro 2003

4 comentários:

Anônimo disse...

Estou com essa bacteria, e achei muito interessante a reportagem, foi de grande importancia.
E que tipo de alimentação poderemos ter, para ajudar a cicatrização da ferida e para combater a bacteria, mais rapido ?

Anônimo disse...

Eu sou mais uma vítima dessa bacteria, já fiz a endoscopia à qual a detectou, tomei o medicamento (Piroritrac) e não surgiu efeito, pois as dores e irritaçãoes continuam.

O que posso fazer agora?

Anônimo disse...

estou com hpiloryha muitos anos,,,ja tommei varios medicamentos ,,refaço exames e ele continua la...mais forte q nunca....ja fiz cirurgia de hernia de hiato,,esofagite e reflxuxso intenço...para minha tristesa voltou tudo de novo...agora estou com asteatose hepatica grau 3....tenho muito vomito azia ..me ajudem pelo amor de deus...meu nome é sueli kinaske...aguardo resposta...abraços

Anônimo disse...

Tb estou com a bactéria, mas em nome de Jesus irei erradicá-la do meu organismo com a medicação e Fé. Achei extremamente compreensivel a reportagem, especialmente por eu ser leiga no assunto. Obrigada e torço para que os das pessoas anteriores erradiquem essa bacteria do organismo, tenha Fé. Bjos



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