Após a introdução dos antiretrovirais (drogas que inibem a reprodução do HIV no sangue) os infectados com HIV/AIDS estão vivendo muito mais e raramente morrem por culpa da doença, porém, apareceu um novo desafio, a co-infecção com a hepatite C, a qual já é a principal causa de mortes nestes indivíduos.
O HIV (sigla originada do inglês: Human Immunodeficiency Virus) é um retrovírus, e o HCV (sigla em inglês para o vírus da hepatite C), um flavivírus, são ambos, vírus de RNA, têm distribuição mundial, conduzem à infecção subclínica crônica, apresentam genomas altamente polimórficos como conseqüência de altos níveis de mutações, e podem ser diagnosticados utilizando-se métodos sorológicos e moleculares.
Estudos realizados no Brasil indicam uma prevalência em torno de
Não foram observadas interações significativas entre HIV e o HAV. A interação entre HIV e as hepatites B e C é bem clara e, além da aceleração do acometimento hepático, observa-se piores taxas de reposta ao tratamento.
A hepatite C é transmitida através de transfusão de sangue (antes do ano de 1993), uso de drogas injetáveis (compartilhar agulhas e seringas), hemodiálise (caso haja ausência de limpeza de todos os instrumentos), acupuntura, “piercings”, tatuagens, manicures, barbearia, instrumentos cirúrgicos, relacionamento sexual (não é um mecanismo freqüente de transmissão, menos de 3%), aleitamento materno, acidente ocupacional (acidentes envolvendo agulhas contaminadas) e transplante de órgãos ou tecidos.
O HIV pode ser transmitido, através do sangue contaminado por meio de transfusões, usando seringas e agulhas ou material perfurocortante infectados, relação sexual com penetração anal, vaginal ou oral sem preservativos, com pessoas portadoras do HIV e o risco de infecção do feto, que é maior quando, durante a gestação, a mulher apresenta manifestações da AIDS ou tenha sido infectada recentemente, ou, ainda, tenha sofrido reinfecções.
A prevalência na transmissão sexual é de 7%, em hemofílicos gira em torno de 60% a 85%, e em usuários de drogas intravenosas de 50% a 90%.
Qaunto ao diagnóstico, pesquisadores concluem que em indivíduos com HIV positivos que apresentam um resultado ANTI-HCV negativo (quando o antivírus do HCV não é detectado) sempre deve-se suspeitar de um resultado falso, principalmente se o paciente apresenta transaminases elevadas, níveis de CD4 baixos (nestes casos o sistema imune pode estar muito prejudicado e não produzir anticorpos para o vírus da hepatite C) ou se o paciente apresenta um histórico de uso de drogas injetáveis (onde se encontra o maior número de co-infecções HIV/HCV), recomendando que em todos estes casos seja realizado um teste de PCR (polymerase chain reaction - reacção em cadeia pela polimerase) para detectar o HCV, que baseia-se no processo de replicação de DNA que ocorre in vivo.
Os resultados demonstram que apesar do testes ELISA para detectar os anticorpos do vírus da hepatite C e suficiente para detectar a infecção na maioria dos pacientes HIV positivos, porém existe um subconjunto de pacientes onde o mais prudente seria utilizar o teste PCR.
O tratamento torna-se possível através da combinação de ribavirina e interferon alfa, que foi estudada em doentes sem infecção HIV que nunca tinham tomado interferon (INF) ou cuja terapêutica com INF isoladamente tinha falhado. A adição de ribavirina ao interferon mostrou respostas superiores às que se conseguiram com interferon isoladamente. Esta diferença ainda é superior em doentes com cargas virais inferiores a 2 milhões de cópias/mL e genotipos que não sejam 1 (95% vs 18% com resposta virológica significativa). Os doentes que tinham inicialmente mais que 2 milhões de cópias de HCV RNA/mL tiveram também uma boa resposta ao interferon (67% vs 3%).
Outro estudo bastante interessante foi realizado por cientistas que descobriram uma miniproteína do vírus da hepatite C que pode prevenir a infecção pelo HIV. A descoberta pode ajudar os cientistas a desenvolver uma nova arma contra a Aids. A chave está na “âncora” que o vírus da hepatite usa para se agarrar às células. A equipe de Philippe Gallay, do Instituto de Pesquisa Scripps, nos Estados Unidos, descobriu que parte dessa âncora, o peptídeo C5A, é capaz de destruir a infecciosidade do HIV. Com isso, ele é capaz de impedir a entrada do vírus da Aids nas células de defesa do organismo. E o melhor: sem danificá-las. Além disso, a miniproteína também evita que o HIV alcance as células da genitália, impedindo o contágio por via sexual.
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